terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Ruínas

Por dentro desmorono
Tudo ringe, estático
Gárgulas incendiados
Pilastras as fendas
Um castelo em desabo
Desabafo barulho
Entulhos empoeirados
Teias abandonadas
Ninguém sabe de nada
Civis desesperados.
Quem já esteve nessa construção
E agora passa de mão em mão
Não imagina
O quanto faria...
Faria de tudo
Para que nesse desastre
Não te fizesse parte
Que nenhuma poeira
[De alguma maneira]
Chegaria atingir
A sua estrutura,
Para que suas rupturas
Sequer sentisse abalo.
Deixa reconstruir seu coração
Juras, de evitar decepção.
Por dentro somente escombros
De poesia a parte
Todo caco é arte.
Isso é um enfarto?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Decifra-me

Rua das Rosários
Contramão a minha vida
Se ela é linda?
Eu sei!
Escolheu Arlequim
O doce da vida.
Chá de alecrim
Chás de alecrim.
Essa noite teremos
Chá de Arlequim!
Vou entrar em um sono profundo
Longe da profundidade
Da claridão dos seus olhos.
Eu sou aquele que mesmo rindo
Está chorando. Estão chorando!

domingo, 10 de janeiro de 2016

Campo de Concentração

Ao findo corredor amadeirado
Sinais de que esteve lá
Por cada arame farpado
Enrolasse meu sentimento
Que forte e ferido
Fraco a continuar.
Parar ou seguir
Sorrir ou chorar?
Estrela cadente
Estridente sorriso
É o paraíso que estive lá.
Dançar ou dançar?

Nesses dias de chuvisco,
por mais forte os riscos
Te fui encontrar.

Sentada com pés ao balanço
Um vento manso no teto
Já me sinto perto ou nem tanto
Só quero contigo deitar.
Respirar devagarzinho
Imaginando os seus sonhos
Sonhando contigo
Te sou um abrigo
Ou deixa pra lá!

sábado, 9 de janeiro de 2016

Endereço



Teu endereço não tem no mapa!
O ponto de referência é reta.
É curva impiedosa ao desastre.

Ninguém sabe chegar lá,
Até porque nem tu sabes,
Mas
Já pus os pés no teu alpendre
E tu no tapete do meu quarto,
Poltrona eu sei que há.
O vento sopra meu olhar pra tua esquina
Lado a rua protegida por Zeus,
Quina da Joaquina
Com a rua dos bem-te-vis.

Ninguém sabe chegar lá
Mas
Sei achar sem medo
Coisa que não sabias,
Agora sabiá.

É lá onde meu coração fica
Mas
Ninguém sabe chegar lá.

A carioca

Linda e alva
Risonha, quando quer
Senta, conversa e conta suas histórias
Conta "meismo".
Fala ansiosa e se vira de um lado pro outro
Costuma refletir.
É mole?
Baixinha amada
Olhos de Gueixa
Poetisa viaja
Se diverte com roubos de melancias
Chuva na estrada
Estrada piçarra
Percorre sotaques.
Um grito
Calçada Copacabana
Mais bonita que a garota de Ipanema
Pelo banco do poeta
Se equilibra nas semi-luas
Por onde anda de braços abertos
Bailarina equilibrista.
Se afasta distante
Fumaça de um navio
Impiedosamente, a carioquinha.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Lágrima

Ela inveja aquelas gotas
Transparentes. Translúcidas.
Que descem do céu
Em tempos de chuva
Uma gota tão leve
Tão livre de angústia
Remorsos ou solidão.
Ela inveja aquelas gotas
Ou como elas escorrem
Pelas janelas de vidro
Também como pousam
Orvalhas em flor
Sobre o casal apaixonado
E ao rio Igaraçú.
Ela inveja aquelas gotas
Sim
Pela vontade de viver
De continuar
De seguir
De ser consumida com toda energia
De amor retribuído.
Ela inveja aquelas gotas
Pois, por mais que tente
Não consegue viver
Mora e morre em rostos
Expressão depressão
É melancólica
Dramática
Cai ao mais sincero abraço
Faz soluçar
Nó na garganta
Voz aos entalos.
Ela inveja aquelas gotas
Que não tentam se matar
Que vivem romances
Fazem filmes
Fotografias
Escrevem romances policiais.

Há lágrima. A lágrima.
Haja lágrima.
Me lágrima.


Não. Não. Não.
Não!

Quero ser chuva.
Prefiro chover
Do que fazer chorar.

domingo, 22 de março de 2015

A gota

A gota que nem se pode perceber
mas, que a qualquer lugar está.
Sente-se,  mas a esquece.
precisa, mas indifere.
A gota, cheia de amor,
escura de dor,
abatida sem pudor.
A gota que preenche o oceano
e de gota em gota o rio transbordando.
A gota, a qual
tirou o "ar" daquela gARota
e tornou só gota,
diferente daquela outra
que esfria a boca
velha e louca
de roupas poucas.
A gota, apaixonada
que sempre se abandonou na estrada
morrerá sozinha
destratando cachorros
molhando o asfalto
secando ao sol, virando fumaça.
A gota, encontra-se sem graça
pois precisava de mais uma decepção,
pôs uma corda a sua mão
e pediu coragem, mas não a viu chegar.
Tornou-se ao sono, o velho sonho
a garotinha, é sua filha
que se fez gota
estando longe, se faz tão perto
no coração, ofegando o pulmão.
Gota maldita, só tem problema
e até na morte, só é estorvo.
A gota, deságua no oceano
e vê tudo aquilo que era só plano
entre um fulano e seu cicrano
ser realizado, foi maltratada,
perdeu-se gota, a outra em outra.
Agora em pranto, espera o "vir"
o que era mesmo "carpir"?
Soluços de fome, molha o estrume,
lança-se ao betume, a chamas some.
A gota, destroços tais
parece caco, tantos insultos
a cabeça em tumulto, virou sepulto
que caiado está, mas só por fora
porque por dentro, és putrefato,
fios despenteados, a gota arruma.
Vê-se como solução, mas digo não!
És apenas tão egocêntrica
que mal se senta quer levantar,
palavras acabar, e neste momento
cansado está, de tanto palavrear,
ninguém já leu, gota tão seca
gota tão fria, sem nem um ponto
ja está tonto, de tanto rodar,
finda ao sono, fina e linda
já foi mocinha, agora demônio
tampoucas linhas, nunca foi minha
foi só um sonho.
Gota sofrida, desce ao rosto,
fez-se em orvalho, colcha de retalho
tão incompleta, em linhas retas
tomou seu rumo, rumo sadio
mais solitário do que estar no rio,
que mesmo com tantas gotas
vê-se em outra, acabou chorare.